terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Se não posso rir...

 


Se não posso rir
De que vale existir?

Em mundo de gente séria
Quem ri um ror, sem tento
É doido, insano
E, para alguns, até blasfemo.
Controle-se, senhora!
Seja educada e não ria a esta hora!


Descobri
Que quem ri
Despropositada
E descontroladamente
Não é normal
Como a outra gente.

Essa insana risonha
Sou eu. 
Ri, chora e sonha.

Fátima Henriques
(original e secretamente escrito a 30/12/2021, 00:48 am)


[18 janeiro - assinala-se o Dia Internacional do Riso]

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

When music brings us memories

 


Struggling with memories not so happy.
Struggling with memories brought by each note of joyful melodies
That fill the entire room
Wherever we are.

Happy songs for you,
But not for me.
They remind me a time of a huge turbulence in my life
They remind me another me
Rediscovering love,
Hoping just being loved.

Actually good music can bring us bad memories
But at a certain distance
(and especially at a certain inner growth),
It´s possible to draw a tiny smile in our face
Even feeling fragile inside

Fátima Henriques

Unexpectally sometimes it sounds me better in english. 
That's how words come from my mind. I just listen to and put them into the paper.
[19-12-2021]

sábado, 4 de dezembro de 2021

Despe-te e vive!

 


O Inverno chega e com ele as temperaturas baixas. Começa a ficar frio. Muito frio.
Vestimos uma camisola, outra camisola, um casaco e um casacão. Camada a camada, vestimo-nos para nos protegermos do frio, não vá chegar-nos aos ossos e às cartilagens.

Assim como no Inverno, tendemos ao longo da vida, ao longo dos anos, ao longo do ano, a vestir capas sobre a nossa pele para "protegermos" o melhor de nós. Ou, simplesmente, para que não cheguem até nós. Vestimos o medo, a insegurança, a precaução, anseios... enfim, toda uma panóplia de camisolas que vão ocultando a nossa autenticidade. O nosso âmago fica tão bem guardado que nem nós próprios, muitas vezes, lhe conhecemos o potencial.

Sonhos ficam por realizar, palavras ficam por dizer, dons e talentos ficam por fazer render, alegrias ficam por sentir, vida que fica por viver.

O Inverno chega, arrefece, mas tem hora para ir embora. Na mala leva as camisolas, os casacões e as mantinhas do sofá.

Não tem mal, sazonalmente, vestirmo-nos até às entranhas. Afinal, viver não é um caminho linear. É normal sentirmos receios e anseios, tristeza e preguiça, fraqueza e insegurança. Agora cabe-nos vestir estas capas apenas nos invernos da nossa caminhada e fruir das demais estações. Só assim seremos nós.


Que camisolas vestes que te impedem de ser quem és? 






quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Espremer até não mais doer

 










Tenta com garras de leoa
Rasgar a fissura da parede
Obrigá-la a ceder para entrar
Apertar-se tanto até que a dor não doa
E as lágrimas congelem caídas
Do seu triste, dilacerado olhar.

Quer espremer-se tanto
Até que as entranhas lhe digam
O que anda ela a fazer
Para aquele tormento acontecer.

Quer saber do que a acusa
Não para se defender ou contra-atacar
Quer perceber por que está tão irado
Para que possa melhorar.

Fátima Henriques


(sujeito poético: ela)

sábado, 4 de setembro de 2021

pés e marés

 


Atónitos,
Não queriam acreditar
À sua frente desfilavam
As amadas com quem queriam casar

Fizeram-se ao caminho
Entusiasmados
Sobre a areia ciumenta
Que insistia em reclamar:
Tantas juras de amor ao luar
E afinal querem a água do mar

Eles seguiam sem se importar
Alienados pela fresca maresia
Queriam abraçar com fervor
As ondas vestidas de branco
Que rebentavam de alegria.

Os pés!

A sua pele faminta
De sol, de sal, de mar
Procura na terra da praia
O seu sereno lugar.
Deseja ser raiz
Para chegar às profundezas
Enrolar-se na candura das vagas
E para sempre ser feliz!

Fátima Henriques